Profundanças

Lançada em dezembro de 2014, Antologia literária e fotográfica Profundanças tirou a profundeza das poesias do fundo das gavetas e de cadernos e fez dançar autoras inéditas (ou com apenas um livro) e artistas das imagens.

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É a partir da extinção das fronteiras que a circulação se dá. Tem gente que nasce, cresce e reproduz toda a chamada “cadeia da vida” em um único locus. Mas algumas pessoas – as raras – já nascem munidas ou vão se fortalecendo em um movimento de ignorar as delimitações, hibridizar, andar em espiral. Daniela Galdino – escritora que se diz camelô – é uma dessas figuras.

Nasceu em Itabuna/BA, e já jornardeou por vontade, necessidade ou interesse em cidades como Santo Antônio de Jesus, Brumado, Salvador, Recife, Feira de Santana, Lençóis (…), sempre com um olhar atento e delicado para as danças das poesias em tod@s os espaços. Uma “migrante pendular”, como remete à si mesma.

Em 2014, de observadora, assumiu também o papel de agente literária. Com um know how de acadêmica, leitora, espectadora, escritora, mulher, criou um projeto colaborativo e sem fins lucrativos, o livro Profundanças -antologia literária e fotográfica. A partir de um incômodo, das gavetas engolindo tantos escritos, convocou mulheres artistas, ativistas, também migrantes, e como ela senhoras do seu tempo.

Reunindo autoras inéditas, ou que já divulgavam textos na internet, ou autoras de somente um livro, reforçou o diálogo estético através da fotografia. O resultado foi mais que um objeto-ebook, significou a primeira publicação de algumas mulheres da Bahia. A exemplo de Dona Celeste, que Galdino conheceu em Brumado, quando foi comer um Acarajé. Com palavras e mensagens de vida, as duas fortaleceram uma troca.

Mulher simples, Celeste, estudou apenas até sexta série, interrompendo seus estudos para trabalhar e ajudar a família. Contudo, na sua trajetória, nunca parou de observar os sentimentos, escrevendo poemas para tocar a alma das pessoas. É o que podemos ler nos textos e fotos presentes na antologia.

Márcia Soares, uma jovem também de Brumado, é outra autora até então inédita – e interessante exemplo. Moradora da zona rural do município, na Fazenda Lagoa do Arroz, Márcia é interprete de libras e participa da comunidade surda de sua cidade. E nessa dinâmica já interpretou alguns de seus poemas em Língua de Sinais, cantando em gestos a sua terra sertaneja.

E são mulheres como Celeste, Márcia, Daniela, Belisa, Brisa, Fernanda, Lorenza, Potira, Renailda, Say e Valquíria que quebram as fronteiras, modificam as dinâmicas sociais com pequenos e grandes acenos. Acima de tudo, com precisas palavras, revelam as profundezas de si, suas representações e apresentações de vida, cujo desafio maior é único e predestinado: Ser!

A antologia profundanças está disponível para download gratuito no link: http://vooaudiovisual.com.br/projects/profundancas/. Os perfis de Celeste Bastos, Márcia Soares e Daniela Galdino já podem ser acessados no site Escritoras da Bahia.

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